SonhoMeu
No início de outubro aconteceu em São Paulo a cerimônia de premiação da 5ª edição do Prêmio Consulado da Mulher de Empreendedorismo Feminino. Dez grupos foram selecionados para receber capacitação técnica por dois anos, eletrodomésticos e R$ 10 mil.

A Associação Sonho Meu, de Porto, no Acre, foi uma das premiadas. Estiveram em São Paulo para receber o prêmio a presidente da Associação, Elisabete Santos Silva, e também Lázara Marcelino, da Secretaria Especial de Políticas Para Mulheres do Acre.

Criada para potencializar a produção dos agricultores e agricultoras familiares assentados no Projeto de Assentamento do Caquetá – instituído pelo INCRA em 1997 e que assentou na época cerca de 583 famílias em áreas de 15 hectares -, a Associação Sonho Meu pretende agora, com o projeto premiado, incrementar a produção de 20 famílias de mulheres empreendedoras, com foco na produção e geração de renda, valorizando a produção familiar e o desenvolvimento de estratégias econômicas sustentáveis.

O prêmio recebido do Consulado da Mulher fez com que a Associação conseguisse equipar a cozinha de produção com freezers, geladeiras, micro-ondas e purificador de água. O dinheiro será investido em ajustes de embalagem e produção para ampliar a comercialização dos produtos.

Elisabete Santos Silva, presidente da Sonho Meu, conta que tudo isso, além da capacitação técnica oferecida pelo Consulado, ajudará muito no avanço da Associação: “Essa conquista é maravilhosa. Precisávamos de freezers para guardar polpas, frutas, compotas, geleias, e agora temos onde armazenar a nossa produção. Estamos felizes também porque teremos assistência técnica por dois anos. No Brasil estão acontecendo cortes muito grandes do governo federal em assistência técnica, então conseguir isso é importante para a gente”.

A criação da Sonho Meu está ligada a uma outra associação, da época em que o assentamento das famílias foi realizado, criada para reivindicar políticas públicas e que acabou entrando em colapso e parou de funcionar. “As mulheres rurais sempre tiveram muita necessidade de organização, então nos juntamos e resolvemos ativar a associação. Resgatamos o antigo CNPJ, o estatuto, pagamos as multas, colocamos os documentos em dia e reativamos, mas como outro nome, agora Sonho Meu”, diz Elisabete.

O grupo tem buscado se associar a parceiros que auxiliem na formação e melhoria contínua do trabalho, como Senai, EMATER, UNISOL Brasil e a Secretaria Estadual de Políticas para Mulheres do Acre. Cursos, formações, acesso a crédito, intercâmbio, oportunidade de comercialização dos produtos em feiras são alguns dos pontos destacados por Elisabete como resultado dessas parcerias.

Ela aponta a importância da atuação da UNISOL Brasil nessa trajetória: “A parceria com a UNISOL nos levou a fazer intercâmbio, nos ensinou o que significa economia solidária, promoveu a nossa participação em feiras para
comercializar nossos produtos, deu assessorias aqui no assentamento, e isso tudo foi muito importante. A UNISOL é um patrimônio criado para fortalecer a agricultura familiar e a economia solidária. Temos que fortalecê-la e não podemos deixar que nenhuma política venha a limitar sua atuação”.

“A gente conseguiu se manter na ativa até agora e continuamos vencendo as dificuldades. Quando começamos não tínhamos meio de transporte nem equipamentos, hoje já temos um caminhão, trator com arado, grade, plantadeira, tanque resfriador de leite para a comunidade que trabalha com isso. Vivemos organizados, mulheres, homens e jovens, para alcançar as nossas necessidades. Somos pequenos, mas temos conseguido dar bons passos por meio da Associação”, diz ela.

A Associação criou também a Cooperativa Sonho Meu, para facilitar a comercialização dos produtos. A produção inclui frutas como banana, mamão, melancia, limão e laranja, hortaliças como rúcula, pepino, maxixe, alface, cebolinha e cheiro verde, além de leite. Leite e laticínios também são produzidos – como queijo, iogurte e requeijão – e vendidos para um laticínio local. As frutas e hortaliças são consumidas em boa parte pela própria comunidade, que compra na porta do produtor, e também em feiras na capital do estado, Rio Branco. O grupo produz ainda geleias, compotas, polpas e doces.

Lázara Marcelino, da Secretaria Estadual de Políticas para Mulheres do Acre, acompanhou Elisabete na entrega do prêmio do Consulado da Mulher. A participação da Secretaria nessa conquista foi importante: “O grupo da Bete já teve uma inscrição nesse prêmio, há alguns anos, mas não conseguiu. Conheci Bete antes mesmo de atuar na Secretaria, e me senti na obrigação, enquanto gestão pública agora, de acompanhar mais de perto esse empreendimento, que para nós é uma referência em vários sentidos. Primeiro, por ter uma mulher à frente da Associação, mas também por reconhecer a capacidade de liderança e competência dela e perceber que há união no grupo. As mulheres envolvidas no processo se complementam, são muito ligadas umas às outras. Nesse processo de inscrição do projeto e premiação, nos sentimos comprometidas a fazer o acompanhamento e a gestão”.

Ela e Elisabete passaram por um processo de capacitação junto ao Consulado da Mulher e farão a multiplicação, junto às mulheres da Associação, dessa metodologia que o Consulado compartilhou, que inclui todo o processo de gestão, comercialização, higienização dos produtos, como melhor a aparência, enfim. “Isso é muito importante, porque elas já têm alguns espaços de comercialização, como as feitas e o PAA, mas estamos já pensando em futuros novos mercados”, diz Lázara.

Os maiores desafios da Sonho Meu hoje são embalar seus produtos seguindo as formalidades, para expandir mercados, e manter a escala da produção. “Ainda não temos estrutura de irrigação para produzir no verão, por exemplo. Manter a escala de produção é a maior dificuldade. E embalar, com código de barras, licença da Anvisa e todos os procedimentos. Assim a gente consegue ganhar o mundo, vender para o nosso estado e para os nossos vizinhos, Peru e Bolívia”, diz Elisabete.