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17 abr
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Paul Singer, presente!

Partiu na noite de 16 de abril, aos 86 anos, o professor Paul Singer. Economista e Sociólogo, foi o fundador da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES) em 2003, e desde então vinha trabalhando arduamente pelo desenvolvimento e apoio à economia solidária no Brasil.

Defendia a propriedade coletiva ou associada do capital, e que o poder público teria como missão captar parte dos ganhos acima do considerado socialmente necessário para redistribuir essa receita entre os que ganham abaixo do mínimo indispensável. Esses eram os princípios contidos em seu livro “Introdução à Economia Solidária”, publicado em 2002. Sua atuação na SENAES sinalizava um processo de construção de uma política pública de apoio à economia solidária, e houve crescimento e fortalecimento da rede.

Nascido na Áustria, veio com a família para o Brasil em 1940, fugindo do Holocausto nazista. Formou-se em eletrotécnica, foi filiado ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, deu aulas e formou-se economista e sociólogo pela USP, orientado por Florestan Fernandes. Estudou demografia nos EUA e teve seus direitos políticos caçados durante a ditadura. Participou da fundação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) e ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores. Foi Secretário de Planejamento do município de São Paulo na gestão Luiza Erundina e se destacou nas pesquisas sobre economia solidária. Publicou vários livros sobre o tema e é referência para estudos sobre desenvolvimento local.

Mesmo depois que deixou a SENAES, o professor Paul Singer continuou acompanhando e participando do movimento da economia solidária, comparecendo a eventos como a FEICOOP, maior feira de Economia Solidária da América Latina, e encorajando o movimento e a resistência. Este presente à inauguração do Ponto de Economia Solidária Benedito, em São Paulo, e em muitos outros eventos desde então.

Em entrevista à jornalista Mônica Ribeiro, logo após deixar a SENAES, Singer apontou dois desafios importantes à vista: aprovar a lei do cooperativismo e a lei da Economia Solidária: “Cada vez mais países adotam legislações de economia solidária. A França fez uma lei muito boa, que obriga as empresas que irão decretar falência a informar aos seus trabalhadores a situação para que os mesmos tenham tempo e a opção de se organizarem numa cooperativa e assumir a companhia. A Itália tem legislação sobre isso, Espanha, Portugal, México… eu ajudei a fazer várias dessas leis a convite, e todas elas estão aprovadas hoje. Mesmo a ONU está dando apoio à economia solidária. O Brasil precisa aprovar essa lei. A informalidade é um prejuízo muito grande para o desenvolvimento da economia solidária, por isso a conquista dessa legislação é indispensável”.

Vá em paz, companheiro!

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02 abr
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Unisol lança cartilha sobre Empresas Recuperadas

A busca pela garantia de trabalho digno e qualidade de vida reúne trabalhadores e trabalhadoras, sindicatos e associações. Para todos, há a preocupação de que uma crise econômica, a má gestão de um patrão, desinteresse do empresário pelo negócio, ou mesmo uma decisão arbitrária de uma diretoria de empresa possa gerar demissões em massa, desemprego e precarização do trabalho.

Para alguns casos em que o local de trabalho está “mal das pernas” e a falência parece cada vez mais próxima, trabalhadores e trabalhadoras ao redor do mundo têm optado por assumir as rédeas do negócio onde eram até então empregados e assim buscarem soluções não só para reergue-lo como também novas formas de geri-lo.

As Empresas Recuperadas por Trabalhadores e Trabalhadoras são hoje parte de uma realidade concreta em diversos países, tais como Argentina, Espanha e Itália. No Brasil, essa iniciativa vem crescendo e se fortalecendo, formando uma grande rede de pessoas que optam pela autogestão de suas empresas como meio de vencer a crise e de prosperar, garantindo postos de trabalho e o oferecimento de seus produtos e serviços para a sociedade. Com isso, as cooperativas demonstram que a classe trabalhadora pode gerir com sucesso e responsabilidade social os meios de produção, sem precisar de patrões.

A Cartilha “Empresas Recuperadas por trabalhadores e trabalhadoras: cooperativismo solidário em tempos de crise” começou a ser pensada a partir da articulação de diversos parceiros durante o processo de falência da montadora Karmann-Ghia em São Bernardo do Campo – SP, cujos trabalhadores e trabalhadoras ocuparam a fábrica por mais de 7 meses em 2016, visando garantir o pagamento dos salários atrasados e direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Durante o processo de ocupação foram realizadas diversas ações de solidariedade, mas também um ciclo de atividades, assessorias e formações sobre empresas recuperadas, visando instruir e qualificar o debate dos trabalhadores e trabalhadoras sobre a possibilidade de formar uma cooperativa de empresa recuperada.

Num esforço conjunto da Central Única dos Trabalhadores, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Escola Livre para Formação Integral “Dona Lindu”, UNISOL Brasil, Nexus Emilia Romana e a Nexus Brasil, as ações em prol dos trabalhadores e trabalhadoras da Karmann-Ghia seguiram curso, incluindo um Seminário Internacional trazendo experiência de fábricas recuperadas por trabalhadores e trabalhadoras da Argentina, Brasil, Espanha e Itália realizado em outubro de 2016 no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Até o presente momento os trabalhadores e trabalhadoras da Karmann-Ghia ainda estão em disputa judicial para conseguir a falência da empresa.

Foi dentro desse contexto que essa cartilha começou a ser elaborada, pensando, principalmente, na formação
para trabalhadores, trabalhadoras e sindicatos, trazendo alguns dos principais pontos sobre empresas recuperadas, buscando abordar o assunto de forma prática e pragmática. Essa cartilha apresenta um pouco do que a UNISOL Brasil aprendeu e acumulou de experiência desde sua fundação em 2004, junto a parceiros importantes como a Central Única dos Trabalhadores, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a Nexus Emilia Romana e a Nexus Brasil, que, aliadas as experiências dos empreendimentos, estudos e publicações existentes, colaboraram na difusão de informações e na conscientização de trabalhadores, trabalhadoras e sindicatos em relação ao caminho autogestionário, suas vantagens e também seus problemas e, com isso, apresentá-lo como alternativa às crises que possam ameaçar os direitos da classe trabalhadora.

Acesse a publicação completa clicando aqui: https://goo.gl/e1N41d

 

 

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30 mar
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25ª FEICOOP está com inscrições abertas

Até o mês de maio, organizações, caravanas e empreendimentos solidários podem realizar inscrição para participar da 25ª edição da Feira Internacional do Cooperativismo, a FEICOOP, que acontece de 12 a 15 de julho em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Propostas para lançamentos de livros, atividades culturais, encontros e outras atividades também já podem ser inscritas. As inscrições também estão abertas para a participação na feira de Economia Solidária e de voluntários.

Realizada pelo Projeto Esperança/Cooperança da Arquidiocese de Santa Maria e pela Prefeitura, a FEICOOP é a maior feira de economia solidária da América Latina. Em sua última edição, em julho de 2017, recebeu 255 mil visitantes, de acordo com dados divulgados pela organização. No ano anterior, foram 248 mil.

No ano passado, participaram representantes de todos os estados brasileiros, mais de 500 municípios, e de 20 países, entre os quais Itália, África do Sul, Hungria, Espanha, Peru, Senegal, Uruguai, Portugal, México, China, Alemanha, Cuba Colômbia, Nicarágua, Paraguai e Senegal.

A feira expôs cerca de dez mil produtos, entre agroindústria familiar, artesanato, alimentação, hortifrutigranjeiros, plantas ornamentais, serviços e produtos de povos indígenas.

É um grande espaço de articulação, debate, troca de ideias, experiências de comercialização solidária direta dos empreendimentos da Economia Solidária, da agricultura familiar camponesa, das agroindústrias familiares, dos catadores e catadoras, povos indígenas e dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, por meio da metodologia autogestionária e na construção de um outro mundo e de uma outra economia possíveis.

A FEICOOP é organizada pelo Projeto Esperança/Cooesperança, Banco da Esperança da Arquidiocese de Santa Maria, Cáritas Brasileira, Cáritas/RS, FBES (Fórum Brasileiro de Economia Solidária), FGES (Fórum Gaúcho de Economia Solidária), IMS (Instituto Marista Solidariedade), SENAES/MTE, Conselhos Populares, com  apoio  da  UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), Prefeitura Municipal de Santa Maria e muitas organizações de Santa Maria, do RS, do Brasil,  da América Latina  e  outros  Continentes, articulados em Redes Solidárias.

Clique aqui para baixar os formulários de inscrição: https://goo.gl/Je4JMn

 

 

 

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21 mar
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Unisol comemora ações realizadas no Acre em 2017

 

A Unisol Acre realizou, no início de março, seu XII encontro anual. A atividade aconteceu no auditório da Assembleia Legislativa do Estado do Acre e teve como objetivo apresentar as ações realizadas em 2017 e plano para 2018, incluindo o lançamento da III edição da Eco Flores.

Estiverem presentes representantes de empreendimentos de 07 municípios e  diversas autoridades: Deputado Federal Raimundo Angelim; Vice Prefeita de Rio Branco, Socorro Nery; Coordenador do Trabalho e Economia Solidária (COMTES), Lira de Morais; o vereador de Rio Branco Mamed Dankar; representante da Secretaria de Estado da Mulher, Lazara; e ainda representantes da Bolívia – Ana Lucia Reis (ex-prefeita de Cobija/Capital Pando), Romell Beltran (gestor público), Maribel Taborga (casa do artesão) e Eliana Acosta Quispe (Deputada Estadual).

29027349_286182511914965_4354156377745129472_nDurante o encontro, o coordenador da Unisol Acre, Carlos Omar, iniciou sua fala parabenizando todas as mulheres pelo seu dia e principalmente por serem mais de 70% do público presente no encontro. Valorizou a participação dos empreendimentos filiados nas ações da Unisol, num esforço conjunto de instituições parceiras envolvendo poder público, sociedade civil e empreendimentos, uma forma positiva de fazer políticas públicas de desenvolvimento da Economia Solidária no Estado do Acre. Carlos também destacou como ponto positivo do encontro o intercambio com a parlamentar e representante do país vizinho, a Bolívia.

28870556_2627534344138939_5881336741205377024_nO vereador de Rio Branco, Mamed Dankar, também representando o Deputado Estadual Lourival Marques em sua fala, destacou o importante da Economia Solidária, um movimento social que se expressa em organização e conscientização sobre o consumo responsável, fortalecendo relações entre campo e cidade, entre produtores e consumidores, e permitindo uma ação mais crítica e proativa dos consumidores sobre qualidade de vida, de alimentação e interesse sobre os rumos do desenvolvimento relacionados à atividade econômica. É uma atividade que tem sido imprescindível ao desenvolvimento do Estado, em especial, nesse período de crise econômica.

O Deputado Federal Raimundo Angelim relatou o importante trabalho que vem sendo realizado pela Unisol Brasil, principalmente em relação a mobilização, formação e comercialização da produção dos empreendimentos, por meio da realização de feiras e seminários de formação. Destacou ainda que não medirá esforços para lutar em prol das ações coletivas voltadas para o fortalecimento da Economia Solidária no Acre.

 

 

 

 

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06 mar
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Unisol assina nota contra cancelamento da visita de especialista em direitos humanos da ONU

A sociedade civil brasileira abaixo assinada expressa sua profunda consternação e insatisfação com a decisão do governo brasileiro de cancelar, no último minuto, a visita oficial ao Brasil do Especialista Independente da ONU sobre dívida externa, finanças e direitos humanos, Sr. Juan Pablo Bohoslavsky, agendada há quase um ano e planejada para ocorrer nos próximos dias. O motivo alegado de troca de Ministro dos Direitos Humanos para o cancelamento é pouco verossímil. Uma coalizão de 60 organizações e movimentos sociais têm trabalhado há meses para mobilizar as partes interessadas locais e preparar informações em primeira mão para contribuir com essa missão.

As medidas de austeridade têm afetado severamente o usufruto dos direitos humanos no Brasil. Promulgada no final de 2016, a Emenda Constitucional nº. 95 congelou por 20 anos as despesas com políticas públicas, sendo chamada de “pacote de austeridade mais severo do mundo” pelo Relator Especial da ONU sobre pobreza extrema e direitos humanos. Esta alteração aprofunda a concentração de renda no país e exacerba as restrições ao financiamento dos direitos sociais.

Mais de 50 organizações assinam o documento.

Para ler o texto, basta clicar aqui: https://goo.gl/V4K9Mm

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19 fev
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Inscrições para o Fórum Social Mundial terminam dia 27 de fevereiro

As inscrições para participar do Fórum Social Mundial (FSM) 2018 se encerram no próximo dia 27 de fevereiro. Para quem quiser inscrever atividades e participar da Feira de Economia Solidária, o prazo é 20 de fevereiro. A Unisol Brasil promoverá várias atividades.

O FSM 2018 acontece de 13 a 18 de março em Salvador, Bahia. O território principal das atividades será a Universidade Federal da Bahia (UFBA), mas elas se espalharão por outros espaços públicos, culturais e periferias da cidade. Estão previstos seminários, plenárias, oficinas, atividades culturais, conferências, marchas e atos pela cidade.

A organização do FSM 2018 aponta que “os sonhos da humanidade hoje se defrontam com os fundamentalismos das guerras e xenofobias e dos sistemas de dominação com suas novas formas de golpear liberdades e democracias. A capacidade de resistir é violentamente desafiada. Por isso as organizações e movimentos alinhados com a Carta de Princípios do Fórum Social Mundial novamente se auto convocam para reunir sua diversidade de lutas e somar forças para a resistência”.

Para conhecer a programação e se inscrever, basta acessar o site: https://wsf2018.org/cadastro/

Já há uma vasta programação de mobilizações rumo ao FSM 2018, que pode ser conferida clicando aqui

A programação inicial também já foi definida pelo Grupo Facilitador do FSM 2018. Acesse aqui.

Para acessar a Carta de Princípios do FSM, clique aqui.

 

Acompanhe o FSM 2018 nas redes:

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17 fev
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Unisol lança publicação sobre o Projeto Ecosol SP como Estratégia de Desenvolvimento

O mundo do trabalho vem mudando muito ao longo das últimas décadas. Mas uma coisa é certa: uma das funções do poder público em relação a isso é estimular e oportunizar novas formas e relações de trabalho, ampliando a inclusão das pessoas, gerando trabalho e renda.

Em dezembro de 2014 teve início, no município de São Paulo, uma experiência pioneira ancorada na Economia Solidária (Ecosol). O Projeto Ecosol SP Como Estratégia de Desenvolvimento (Projeto Ecosol SP), promovido pela Secretaria Municipal do Trabalho e Empreendedorismo (SMTE) e executado, por meio de convênio, pela Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil (Unisol Brasil), mapeou empreendimentos solidários, promoveu a criação e a atuação de redes e formações, criou oportunidades de comercialização e voltou a incentivar um ecossistema que havia se dispersado em anos anteriores, quando essa economia deixou de inspirar políticas públicas no município.

Milhares de pessoas foram atendidas pelo Projeto em suas diferentes fases, guiadas por metodologias peculiares, erguidas da maneira tal qual gira a Economia Solidária: construídas conjuntamente, não apenas pelos educadores e gestores do Projeto, mas com a participação permanente dos empreendimentos e das pessoas.

A Economia Solidária apresenta-se como outra forma de relação social, envolvendo produção, comercialização e consumo, e se efetiva por meio de um processo educativo, objetivando mudanças culturais no âmbito individual e social. De fato, não seria possível pensar uma intervenção que fosse concretizada sem a participação direta daqueles que são o público alvo da mesma, e esse foi um dos pilares de implementação do Projeto.

Se no momento inicial o desafio era mapear os empreendimentos dispersos pela capital paulista, contatá-los e convidá-los a formar grupos para atuação em redes, nos tempos seguintes as tônicas foram ampliar público atendido em termos de diversidade, reforçar as redes e levar o sopro da Ecosol a um público novo, interessado em empreender, mas ainda não picado por essa mosca.

Os diferentes momentos do Projeto ao longo dos três anos trouxeram novas perspectivas, novos públicos e contribuíram significativamente para o crescimento das Redes.

Em 2015, foram contratados educadores para mapear e mobilizar coletivos e empreendimentos a participarem do Projeto. A intenção era conformar Redes de artesanato, costura, alimentação, ecoturismo, economia das culturas e cooperativismo social. Essas Redes, inicialmente chamadas de setoriais, tiveram papel fundamental no começo do Projeto, num universo onde o boca a boca, ao menos naquele momento, ainda era o melhor dos jeitos de articular esse universo.

Os convites iniciais feitos pela equipe multidisciplinar de educadores a empreendimentos seguiram reverberando. Um foi contando para o outro, tal qual bola de neve, e de repente as Redes já se viram com dezenas de pessoas se movimentando em grupos de trabalho para estruturar o que viria pela frente. A partir do levantamento de demandas para cada área, o Projeto passou a estruturar suas formações e atividades, que muitas vezes tinham especificidades próprias para cada uma dessas Redes. E foi assim, promovendo reuniões e formações a partir desse quadro pintado pelos grupos, que ele começou a se desenvolver, alimentando cada vez mais a lógica da atuação em rede. Afinal, uma andorinha só não faz verão.

Também naquele ano as Redes participaram de eventos que contribuíram não só para azeitar a atuação em grupo, como também para dar visibilidade a essa economia, com destaques em especial para o N Design SP – encontro nacional de estudantes de design, área parceira da Economia Solidária há muito tempo no município –, o Design Week, considerado o maior evento de design da América Latina, e a Craft Design, uma das principais feiras de negócios do Brasil na área de decoração, design e arte. Foi promovido também um grande evento de cultura e ocupação urbana no Vão do MASP, em plena Avenida Paulista.

Essa primeira fase do Projeto buscou de fato construir de forma colaborativa com o movimento de Economia Solidária uma proposta de política pública. Foram realizadas 80 atividades de mobilização e formação, das quais participaram mais de 3.300 pessoas e 312 empreendimentos organizados nas seis Redes de atuação já citadas, além de mobilizar dezenas de instituições de apoio e fomento à Ecosol.

Em 2016, a Economia Solidária ganhou um espaço próprio em São Paulo, com o início do funcionamento da Incubadora Pública de Empreendimentos Econômicos Solidários, inaugurada em novembro do ano anterior. Com isso, ampliou-se consideravelmente o perfil de público atendido. Parte dos grupos naquele ano foi proveniente de articulações com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC). Tal escolha se deu pelo entendimento que o referido órgão lida cotidianamente com uma parcela da população em situação de extrema vulnerabilidade e em geral excluída do mercado de trabalho, com pouco acesso à educação formal e qualificação profissional.

Assim, população em situação de rua, imigrantes, juventude periférica e LGBTT foram inseridos na estratégia de implementação da política pública. A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM) também teve participações pontuais, encaminhando pessoas com interesse e necessidade de serem atendidas pelo Projeto, sobretudo as mulheres vítimas de violência e em situação de abrigo. Junto à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), para além do público indicado, havia parcerias na disponibilização de bolsas do Programa Operação Trabalho (POT). A Secretaria de Habitação (SEHAB) firmou também parceria com a SMTE para promover alternativas de trabalho e renda para a população em áreas desapropriadas e em conjuntos habitacionais – Jardim Edite, Heliópolis e Jardim São Francisco.

Muitos eventos foram organizados, como feiras e festivais de Economia Solidária, de modo a impulsionar a comercialização dos produtos e serviços dos empreendimentos atendidos e dar maior visibilidade para a Ecosol no município, visado fortalecer as referidas iniciativas e a própria política pública. Dentre os parceiros e parceiras da iniciativa privada e sociedade civil, destacam-se naquele ano a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares Fundação Getúlio Vargas, a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade de São Paulo, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, Instituto Léo Madeiras, Faculdade de Engenharia da Universidade de São Paulo (POLI-USP), Instituto Kairós e Conexão Berrini.

Após um ano de funcionamento da Incubadora, foram mobilizadas 1.066 pessoas, 26 grupos e redes, 187 empreendimentos em nove áreas de atuação econômica (alimentação, artesanato, construção civil, costura, cultura, ecoturismo, estética, hortas e marcenaria), um ponto de empreendimentos que reúne várias atividades – o Ponto de Economia Solidária e Cultura do Butantã -, e realizadas dezenas de eventos. O setorial de cooperativismo social, que funcionou no primeiro ano do Projeto, foi desativado ao se perceber que seus integrantes passaram a se inserir nas outras Redes, buscando especificidades relacionadas às suas áreas de atuação.

O ano de 2017 levou o Projeto a uma nova mudança metodológica, com uma diretriz de ampliar e diversificar os públicos e também promover adequações a uma reestruturação orçamentária. Isso trouxe a criação de uma metodologia de formação estruturada em cinco módulos, de modo que pudesse atrair também empreendedores e empreendedoras que muitas vezes nunca tinham tido contato com a Economia Solidária, ao mesmo tempo em que o atendimento aos grupos e Redes já incubados pelo Projeto continuava a ser feito. A formação passou a ser mais densa, com foco na construção e materialização dos empreendimentos e negócios, formada por cinco módulos: Economia Solidária; Produto, serviço e comunicação; Módulo prático em costura, artesanato e gastronomia; Plano de negócios e formalização; Assessoria de negócios.

Os três primeiros módulos tinham uma lógica mais preparatória, voltados para quem estava se iniciando nesse universo. Já os dois últimos eram focados em quem já tinha um empreendimento. Foram realizados três ciclos dessa formação ao longo de 2017, atendendo centenas pessoas e empreendimentos.

Ao mesmo tempo, grupos produtivos e Redes passaram a usar os espaços da Incubadora cada vez mais como lugar de produção, em especial no caso das áreas de alimentação e costura. Os cursos de gastronomia e de costura passaram a dividir a cozinha e a oficina de máquinas com atividades práticas de produção. A Incubadora, instalada em um prédio junto com o Centro de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, por si só um lugar acolhedor da diversidade, ampliou ainda mais esse espectro com a chegada desse novo público, que em sua grande maioria nunca havia tido contato com a Economia Solidária.

Essa publicação é uma síntese do trabalho realizado ao longo de 1.095 dias (três anos). Que, para além do que resumidamente foi pontuado nesta introdução, trouxe transformações que permanecem e reverberam. A rearticulação de um ecossistema de Economia Solidária que se encontrava desmobilizado no município. A formação de Redes de empreendimentos setoriais, que além de trabalhar de modo coletivo, passaram a trocar serviços entre si. A participação em eventos e a criação de novos espaços onde essa produção pode ser comercializada. A articulação de uma rede de parceiros e apoiadores que tem ajudado nessa mobilização e na expansão do Projeto e seus resultados. A Economia Solidária chegando a novos públicos, promovendo expansão de visões e perspectivas de novas e inovadoras formas de trabalho. A atuação intersetorial encorpando uma política pública que se mostra absolutamente necessária no mundo de hoje.

A informação encontra-se aqui organizada por ano de Projeto, tendo em vista a evolução da metodologia ao longo do tempo e os resultados diversos obtidos nesses contextos. Além de trazer dados sobre metodologia, atendimentos e resultados, os anos aqui são pontuados por depoimentos dos participantes do Projeto, revelando o potencial de transformação de vidas ao colocar o ser humano no centro dos processos econômicos. Que é como a Economia Solidária de fato funciona.

Transitar pela Incubadora hoje é perceber que a inovação e novas formas de trabalho estão de fato ao alcance de pessoas em situação de vulnerabilidade e dos empreendedores/as em geral. Empreender socialmente, solidariamente, coletivamente, podia parecer um horizonte um tanto quanto distante para o novo público que se juntou ao Projeto em 2017, pessoas que têm sua ideia ou seu negócio e sempre pensaram em empreender sozinhas. No entanto, a própria atmosfera de encontro e de troca que aquele espaço proporciona, e o contato com as Redes formadas, faz com que se perceba que um caminho mais coletivo parece ser o mais acertado.

A Incubadora é um microcosmos do que acontece no mundo real. Com uma diferença: o acolhimento universal. A diversidade é um ponto importante para a inovação e para as oportunidades de negócio. Nesse momento, tal como uma mistura de temperos faz explodir na boca sabores indescritíveis, essas diferenças fazem o bolo crescer. Tanto que vocabulários antes antagônicos, que raramente estariam juntos numa mesma frase, se encontram aqui numa perspectiva absolutamente nova. O encontro do mundo do empreendedorismo, amplamente focado na competição, com o mundo da Economia Solidária e do cooperativismo, focado na colaboração, é uma evidência de que esse universo é vivo, e como vivo, mutável. A Incubadora foi o ponto onde esse diálogo se tornou possível.

E quem chegou no último ano do Projeto, atraído pelos cursos de formação, querendo iniciar ou melhorar seu próprio negócio, com certeza saiu picado pela mosca da Economia Solidária e percebeu que há um outro jeito de fazer as coisas girarem.

Para conhecer a publicação sobre o projeto, clique aqui 

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03 fev
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Armando Octaviano Junior, Presente!

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Hoje é um dia muito triste para os movimentos sociais e populares, não só de Mauá, mas do Brasil. A luta dos trabalhadores e mais necessitados perde um incansável defensor da justiça social e de uma sociedade mais fraterna e igualitária.

Descanse em paz grande Armando!!

Que seu espírito de luta continue a inspirar aqueles que sonham com um mundo mais justo e igualitário.

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30 jan
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#REFISpropequeno

#REFISpropequeno é uma Campanha do Sebrae para derrubar o veto do Governo Federal que excluiu os pequenos negócios do programa de recuperação fiscal (REFIS). As micro e pequenas empresas são responsáveis por 2 a cada 3 empregos no Brasil. Elas precisam de condições favoráveis para negociar dívidas tributárias e continuar ajudando o país a retomar o crescimento econômico.

#economiasolidária também se beneficia desse programa, #APOIE você também: http://refisparaospequenos.com.br/#

Mais sobre o REFIS:

fonte: SEBRAE

_o que é REFIS?

O Refis é um programa que pode ajudar as empresas que tiveram dificuldades durante período de recessão e possuem dívidas tributárias com a União. Ele facilita a renegociação junto à Receita Federal e aumenta o número de parcelas para quitação das dívidas com o governo, de 60 para 180 vezes, com redução expressiva de juros e multas.

Quando começa a valer o REFIS?

Em dezembro, o Congresso Nacional aprovou por unanimidade o projeto que estende aos pequenos negócios os benefícios já concedidos às grandes empresas para parcelamento de débitos fiscais. O Governo Federal, porém, vetou o projeto no dia 5 de janeiro. Após o retorno das atividades parlamentares, no dia 2 fevereiro, o Congresso poderá derrubar o veto. A partir da derrubada, o projeto será regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN).

Quem poderá aderir ao REFIS dos pequenos negócios?

Todas as empresas incluídas no Simples serão beneficiadas, especialmente as cerca de 600 mil empresas que devem aproximadamente R$ 20 bilhões à União e foram notificadas pela Receita Federal. Caso não negociem o parcelamento até o dia 31 de janeiro, nas condições atuais (com parcelamento em até 60 meses), elas serão excluídas do Simples Nacional.

Quem parcelar as dívidas em janeiro poderá aderir ao REFIS depois?

Sim! Após a regulamentação do REFIS pelo Comitê Gestor do Simples Nacional, as empresas que já tiverem as dívidas parceladas poderão procurar novamente a Receita e migrar para as condições mais favoráveis previstas pelo REFIS. Consulte seu contador, esclareça suas dúvidas e continue no Simples.

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