É necessário recordar que foi a união dos trabalhadores que exigiu a legalização das instituições de representação política dos trabalhadores, dos sindicatos, e das organizações de produção econômica dos trabalhadores, as cooperativas.

Porém, os capitalistas perceberam que podiam utilizar-se desta conquista dos trabalhadores para obterem lucro para si mesmos, criando as “coopergatos”. “Gato” é o apelido conferido aos arregimentadores de trabalhadores no meio rural. Sempre estiveram à margem da lei e passaram a utilizar das cooperativas, de maneira fraudulenta, para apresentar uma imagem de regularidade e cumprimento da lei. Assim, na maioria das vezes, conseguiam enganar os trabalhadores e, até mesmo, alguns empresários desavisados.

“Coopergatos” são falsas cooperativas, que funcionam como as empresas em geral, isto é, possuem estrutura hierárquica em que alguns mandam e todos os demais trabalhadores obedecem, sob pena de serem afastados do trabalho ou demitidos. Utilizam do modelo legal das cooperativas para explorar ainda mais os empregados, precarizando os direitos garantidos pela CLT. Os trabalhadores nunca são consultados sobre a sociedade e os destinos do negócio.

A grande maioria destas organizações são “cooperativas de mão-de-obra”, cuja finalidade única é arregimentar e cadastrar um grande número de trabalhadores e disponibilizá-los a empresas tomadoras. Funcionam como agências de mão-de-obra, mas, neste caso, não lhes são assegurados os direitos trabalhistas (CLT).

Os capitalistas perceberam que poderiam ganhar muito mais dinheiro se não pagassem os direitos trabalhistas previstos na CLT e passaram a se valer da lei cooperativista criando tais falsas cooperativas.

Numa cooperativa autêntica, os sócios trabalhadores reúnem-se, com freqüência, em assembléia geral para debater os principais assuntos de interesse de todos e, ainda, elegem alguns companheiros para administrarem os bens e negócios comuns. Neste caso, os sócios participam, de fato, da vida societária, o que não acontece com as “coopergatos”.

A UNISOL vem atuando juntamente com sindicatos de trabalhadores e com as autoridades públicas para denunciar as “coopergatos”, uma vez que, além lesarem os trabalhadores, maculam a imagem do genuíno cooperativismo autogestionário.