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A central UNICATADORES, que reúne cooperativas de catadores de recicláveis de todo o Brasil, se prepara para integrar a UNICOPAS. Esse movimento fortalece o cooperativismo solidário brasileiro ao unir as grandes centrais cooperativas em torno de objetivos comuns. Além dos catadores, integram a UNICOPAS a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (UNICAFES), a Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (UNISOL) e a Confederação das Cooperativas da Reforma Agrária do Brasil (CONCRAB).

O Movimento Nacional de Catadores e Catadoras de Material Reciclável (MNCR) foi fundado em 2001, no 1º Congresso Nacional dos Catadores (as) de Materiais Recicláveis em Brasília. Luiz Henrique da Silva, presidente da UNICATADORES, aponta o desafio de solidarizar, somar com outros movimentos “numa luta por um outro modelo de país que nós queremos”. Ele aponta duas direções dentro do MNCR – uma pauta mais política e necessidades mais técnicas, que facilitem a comercialização do material reciclável.

“A gente sentava para discutir sobre política pública com o governo e ele vinha falar de prestação de contas de convênios. Tínhamos mesmo dificuldade conciliar esse braço político com o técnico. Vimos a importância de somar com outros movimentos sociais, e isso era mesmo um desejo nosso. Depois da fundação da UNICATADORES em janeiro desse ano, estamos tendo a felicidade de conseguir essa integração”, define.

A formalização da entrada na UNICOPAS acontecerá até o mês de abril. Inicialmente, a UNICATADORES começa com 230 filiados e trabalhará para a expansão, fazendo desse movimento um processo de filiação mais formal. Hoje o MNCR conta com 732 cooperativas e empreendimentos em todo o país, a maioria ainda em processo de formalização – em especial catadores de rua e grupos de atuam em lixões.

“Nossos desafios são praticamente semelhantes aos dos outros segmentos: falta de políticas públicas específicas para a Economia Solidária, falta de compromisso dos gestores públicos com a destinação final dos resíduos sólidos no Brasil e o não reconhecimento dos catadores como prestadores de um serviço fundamental, que gera inclusive uma economia significativa para os cofres públicos. Eles nos veem como problema, não solução. Com a atual política de resíduos sólidos temos oportunidades, mas também muitos desafios. O prazo para os municípios apresentarem seus planos esgotou, e os que foram apresentados não se mostraram exequíveis na prática. As propostas começam pela última etapa, que é a destinação final. Acham que a gente tem que viver uma cultura de enterrar lixo. Precisa ter uma mudança nisso, porque nosso ecossistema não vai aguentar mais tanto lixo. Precisamos pensar em mudar o modelo de produção de embalagens, pensar em reuso e destinação adequada desde o princípio”.

 

Juntos somos mais fortes

Para Luiz Ademir Possamai, presidente da UNICOPAS e da UNICAFES, a entrada da central de cooperativas dos catadores vem para dar ainda mais sentido à UNICOPAS, que é acolher a rede de cooperativas que não estão ligadas ao sistema tradicional brasileiro: “A entrada deles vem para fortalecer nosso movimento e traz para nós uma nova expectativa de fortalecimento. O maior desafio da UNICOPAS e das entidades que lá estão é conseguir recursos para manter a formação e a qualificação dos dirigentes das nossas cooperativas. É o maior desafio, uma vez que se encurtaram os recursos para projetos. Temos que buscar outras alternativas, porque nossas entidades vão ter muita dificuldade de melhorar a gestão das cooperativas por falta de recursos”.

À frente também da presidência da UNICAFES – que completa 12 anos em 2017 -, Luiz Ademir aponta esse problema também junto às cooperativas de agricultores familiares. “A UNICAFES nasceu com o papel da representação das cooperativas da agricultura familiar, mas nos últimos anos estamos trabalhando bastante com elas alguns serviços como formação e comunicação, em especial junto às UNICAFES estaduais. São mais de 1.200 cooperativas filiadas em 20 estados. Aqui temos essa necessidade também, de promover formações para melhorar cada vez mais a gestão. E a UNICATADORES traz também essa demanda ao se unir à UNICOPAS”, define.

“Vamos formalizar a entrada da UNICATADORES na UNICOPAS em abril. Passamos uma fase de conhecimento, de ‘namoro’ entre as instituições, e agora as instituições estão maduras para isso. Todas participam de vários espaços, de conselhos, e a soma de tudo isso, dessas participações, fez aflorar o amadurecimento para estarmos juntos em torno de um projeto maior”, avalia Arildo Mota, tesoureiro da UNICOPAS, diretor de Relações Internacionais da UNISOL Brasil e presidente da CICOPA América.

“Nossos desafios são os mesmos: fortalecer o cooperativismo, o associativismo, a autogestão e lutar por nossos ideais, pela geração de renda, por mais reconhecimento da Economia Solidária dentro dos espaços institucionais. Estamos também num momento de luta e de reconquista dos direitos que estão sendo negados. De nenhum direito a menos. A soma é uma grande conquista da classe trabalhadora, num movimento unificado com uma pauta conjunta onde nenhuma das entidades que formam a UNICOPAS, onde homens e mulheres, jovens queremos todos direito a voz e a voto, que é o que nos garante a Economia Solidária. E sempre vamos construir por consenso”, define Arildo.

Para o presidente da UNISOL Brasil, Leo Pinho, apesar da turbulência no país, que teve como resultado a paralisação de diversos projetos no campo da Economia Solidária, a UNICOPAS se fortalece com a entrada da UNICATADORES. A Central vem buscando construir um conjunto de agendas para dialogar e pressionar o governo Temer na perspectiva de cobrar a continuidade das políticas públicas para o setor: “Os diversos movimentos e organizações do campo da Economia Solidária construíram uma unidade para isso. A UNICOPAS realizou uma reunião com o ministro do trabalho, cobrando também essas prioridades, e isso teve como resultado a convocação do Conselho e um compromisso de relançar os editais para fortalecer as políticas públicas de Economia Solidária”.