A busca pela garantia de trabalho digno e qualidade de vida reúne trabalhadores e trabalhadoras, sindicatos e associações. Para todos, há a preocupação de que uma crise econômica, a má gestão de um patrão, desinteresse do empresário pelo negócio, ou mesmo uma decisão arbitrária de uma diretoria de empresa possa gerar demissões em massa, desemprego e precarização do trabalho.

Para alguns casos em que o local de trabalho está “mal das pernas” e a falência parece cada vez mais próxima, trabalhadores e trabalhadoras ao redor do mundo têm optado por assumir as rédeas do negócio onde eram até então empregados e assim buscarem soluções não só para reergue-lo como também novas formas de geri-lo.

As Empresas Recuperadas por Trabalhadores e Trabalhadoras são hoje parte de uma realidade concreta em diversos países, tais como Argentina, Espanha e Itália. No Brasil, essa iniciativa vem crescendo e se fortalecendo, formando uma grande rede de pessoas que optam pela autogestão de suas empresas como meio de vencer a crise e de prosperar, garantindo postos de trabalho e o oferecimento de seus produtos e serviços para a sociedade. Com isso, as cooperativas demonstram que a classe trabalhadora pode gerir com sucesso e responsabilidade social os meios de produção, sem precisar de patrões.

A Cartilha “Empresas Recuperadas por trabalhadores e trabalhadoras: cooperativismo solidário em tempos de crise” começou a ser pensada a partir da articulação de diversos parceiros durante o processo de falência da montadora Karmann-Ghia em São Bernardo do Campo – SP, cujos trabalhadores e trabalhadoras ocuparam a fábrica por mais de 7 meses em 2016, visando garantir o pagamento dos salários atrasados e direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Durante o processo de ocupação foram realizadas diversas ações de solidariedade, mas também um ciclo de atividades, assessorias e formações sobre empresas recuperadas, visando instruir e qualificar o debate dos trabalhadores e trabalhadoras sobre a possibilidade de formar uma cooperativa de empresa recuperada.

Num esforço conjunto da Central Única dos Trabalhadores, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Escola Livre para Formação Integral “Dona Lindu”, UNISOL Brasil, Nexus Emilia Romana e a Nexus Brasil, as ações em prol dos trabalhadores e trabalhadoras da Karmann-Ghia seguiram curso, incluindo um Seminário Internacional trazendo experiência de fábricas recuperadas por trabalhadores e trabalhadoras da Argentina, Brasil, Espanha e Itália realizado em outubro de 2016 no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Até o presente momento os trabalhadores e trabalhadoras da Karmann-Ghia ainda estão em disputa judicial para conseguir a falência da empresa.

Foi dentro desse contexto que essa cartilha começou a ser elaborada, pensando, principalmente, na formação
para trabalhadores, trabalhadoras e sindicatos, trazendo alguns dos principais pontos sobre empresas recuperadas, buscando abordar o assunto de forma prática e pragmática. Essa cartilha apresenta um pouco do que a UNISOL Brasil aprendeu e acumulou de experiência desde sua fundação em 2004, junto a parceiros importantes como a Central Única dos Trabalhadores, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a Nexus Emilia Romana e a Nexus Brasil, que, aliadas as experiências dos empreendimentos, estudos e publicações existentes, colaboraram na difusão de informações e na conscientização de trabalhadores, trabalhadoras e sindicatos em relação ao caminho autogestionário, suas vantagens e também seus problemas e, com isso, apresentá-lo como alternativa às crises que possam ameaçar os direitos da classe trabalhadora.

Acesse a publicação completa clicando aqui: https://goo.gl/e1N41d