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Nos dias 27 a 30 de março, a UNISOL Brasil – Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários realizou o Encontro Nacional da Economia Solidária. Representantes da diretoria nacional e da UNISOL em diversos estados brasileiros se reuniram em São Paulo para troca de experiência e construção de plano de ação e fortalecimento da Central frente aos retrocessos e à interrupção de políticas públicas voltadas à economia solidária e ao cooperativismo.

A UNISOL realizou também seu primeiro encontro dedicado exclusivamente às mulheres e à definição de políticas e diretrizes de afirmação e empoderamento, o Encontro promoveu debate e proporcionou metodologias e ferramentas para avançar na federalização da Central, além de oficinas de comunicação e captação de recursos.

Foi realizada também uma mesa de análise de conjuntura com a presença da deputada Maria do Rosário (RS), João Cayres (CUT/CNM) e o deputado Teonilio Barba (SP).

No último dia do evento aconteceu o II Encontro Internacional Sindicalismo e Cooperativismo na América Latina – os desafios da classe trabalhadora, reunindo representantes de centrais sindicais e de cooperativas do Brasil, Argentina e Uruguai, e também da Itália e do Canadá.

“Foi um momento importante de avaliação, de superação de questões, mas ao mesmo tempo sempre propondo soluções”, define o presidente da UNISOL Brasil, Leo Pinho. “Outro ponto importante foi o empenho dos dirigentes estaduais em entender a situação, os impactos do golpe, da descontinuidade das políticas públicas de Economia Solidária, e o fato de ter clara a necessidade de organização local e regional para superar isso e se somar ao conjunto dos movimentos sociais e sindicais nesse processo de resistência. Precisamos avançar no fortalecimento não só da UNISOL, mas também da UNICOPAS, que é essa grande central de cooperativas do campo da Economia Solidária, como instrumentos da classe trabalhadora no campo da autogestão. Para que possamos superar esse processo de descontinuidade e de retirada de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”.

Dezenas de diretores, diretoras, conselheiros e conselheiras da UNISOL, de todas as regiões do país, se estiveram presentes, cultivando um caldo muito rico com as particularidades de seus territórios. Apesar da diversidade, um ambiente de muitas semelhanças e desafios comuns logo se instalou, proporcionando um diálogo e uma construção importantes para fortalecer o movimento da Economia Solidária.

“O encontro foi um evento muito importante e estratégico para o segmento. Tivemos a oportunidade de contar com a presença de diversos atores de todas as regiões do nosso país. Representantes de estados da região norte, do nordeste, sudeste, centro oeste e sul trouxeram suas angústias e suas demandas sobre o futuro. Fizemos debates de análise conjuntural, estivemos com personalidades importantes do campo da Economia Solidária discutindo a situação do Brasil pós-golpe e as perspectivas. Tivemos oportunidade de nos integrar ao debate ao nível do Mercosul, e também conversamos com países coirmãos na discussão, como Itália e Canadá. Nesse contexto, a busca da parceria maior com os movimentos sindicais, as centrais sindicais, foi apontada como uma estratégia que devemos abraçar”, avalia o secretário-geral da UNISOL, Israel de Oliveira Santos. “Para nós, do estado da Bahia, esse encontro foi muito estratégico. Fizemos debates internos nos quais a questão da federalização foi apontada como uma estratégia que a UNISOL vai seguir, e tivemos a certeza da importância da nossa luta. Da necessidade de continuar brigando por uma legislação mais condizente com nossa realidade, pelo marco legal do cooperativismo, pelas políticas públicas voltadas para a Economia Solidária e para o cooperativismo social. E tivemos momentos muito interessantes de reencontro com companheiros de regiões mais distantes da minha, e a gente, mesmo distante, vem sofrendo as mesmas angústias e problemáticas. Foi também um espaço relevante de troca de experiência, muito importante”.

Magda de Almeida, Diretora de Políticas Afirmativas da UNISOL e vice-presidente da UNISOL Bahia, avalia que o encontro promoveu oportunidade também para a análise e debate do atual contexto em que vive o Brasil, das reformas que ferem os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do país. “Destaco a excelente mesa que tivemos com João Cayres, da CUT, e com a deputada Maria do Rosário, que abordaram justamente a perda de direitos e o desmonte das políticas conquistadas durante os governos Lula e Dilma. Momento que eu particularmente percebo como uma formação para os empreendimentos solidários, e isso nos fortalece e nos dá subsídios para ampliar o debate com a base. Frente ao desafio posto para constituir e consolidar a UNISOL nos estados, ao mesmo tempo em que muitos segmentos da Economia Solidária estão fragilizados dentro desse quadro, acredito que saímos mais próximos, e dentre as diversas tarefas que temos pela frente, uma das mais importantes é reanimar, fortalecer os empreendimentos e, mais do que nunca, fomentar a participação social nos espaços constituídos em nossos municípios e estados”.

Para Isadora Santos, diretora-tesoureira da UNISOL Brasil, o encontro conseguiu reunir o conselho geral da Central e todos os seus conselheiros e conselheiras estaduais para realizar um debate bastante realista sobre a situação atual do país e do mundo, sobre a conjuntura economia e social e sobre como isso está impactando as ações da UNISOL, a Economia Solidária e o cooperativismo como um todo. “A partir de todas essas avaliações e reflexões foi possível traçar algumas estratégias bem importantes, junto com a realização de oficinas práticas, e acredito que esse encontro como um todo vai ser muito importante para instituição de forma que consiga dar um direcionamento bem pragmático, bem embasado no contexto que a gente está vivendo, para conseguirmos continuar fomentando a economia solidária e o cooperativismo”.

A vice-presidente da UNISOL Brasil, Nelsa Fabian Nespolo, avalia como de extrema importância na atual conjuntura fazer uma leitura clara, que aponte para ações que impactem na vida das cooperativas e associações da Economia Solidária: “Assim foi nosso encontro nacional, avaliar a realidade e se fortalecer na luta e na ação. Essa ação integrada com Uruguai, Argentina e Paraguai. Se nossos problemas e dificuldades são globais, nossa luta também é. Um encontro que desafia a resistir e lutar muito”.

Mexeu com uma, mexeu com todas

IMG_1323Pela primeira vez desde sua criação, no ano de 2000, a UNISOL promoveu um encontro exclusivo das mulheres que atuam em seus quadros. “São diretoras e conselheiras que já têm uma posição política dentro da UNISOL, e fizemos uma discussão sobre como ocupar mais ainda os espaços, compreendendo cada realidade e avançando no processo de construção de lideranças femininas”, afirma Isadora Santos. “Esse encontro possibilitou ouvir as realidades de todas as partes do Brasil, que são muito distintas. Foi possível ver o que cada uma traz, o que entende, quais são as dificuldades, e criar um laço para que possamos contar umas com as outras, aprender umas com as outras. Mostrar que as mulheres podem ser protagonistas e lideranças de fato e de direito”.

Embora avalie que o tempo foi breve para o aprofundamento nos temas que surgiram ao longo do encontro, Magda de Almeida aponta que o evento foi muito produtivo e permitiu aproximação, socialização dos olhares e incertezas nesse universo de mudanças e retrocessos que sofremos no país: “Retrocessos com o desmonte de políticas públicas e o impeachment sofrido pela presidente Dilma Rousseff, mulher aguerrida que nos inspira como militantes a nos fortalecermos na luta. A não nos esquecermos que lugar de mulher é onde ela quiser. Destaco desse nosso encontro o romper dos silêncios, pois pudemos reforçar o quanto é importante a pluralidade de vozes, de nós mulheres, considerando o nosso lugar de fala, mulheres negras, brancas, indígenas, caboclas, ribeirinhas, LGBT, enfim, os múltiplos olhares e suas especificidades. E como é importante nos conhecermos, estabelecer nossos mecanismos de comunicação e definir os passos coletivamente que irão nortear as nossas estratégias de ação, bem como o nosso papel de multiplicadoras na nossa base de empreendimentos rurais e urbanos no movimento da Economia solidária. Durante a nossa atividade tiramos algumas estratégias e bandeiras de luta que contarão com os esforços desse coletivo de mulheres dos estados para sua efetivação”.

O encontro é considerado por Nelsa Fabian Nespolo um marco importante para a UNISOL Brasil, para a economia solidária e para as mulheres: “Construído com muita expectativa, ele é o resultado de uma caminhada, na qual mulheres diretoras da Central lutaram e pautaram essa agenda. E muitas delas não puderam estar presentes nesse momento, como Idalina, Joana e Dalvani. Essa conquista é também uma homenagem a elas. Conseguimos refletir sobre nossa realidade, definir bandeiras de luta específicas e estratégias de ação. Sem contar o grande entusiasmo e energia que envolveu a todas nós, dispostas a demarcar a paridade com equidade em todos os espaços em que estivermos. Um grande avanço”.

 

Análise de conjuntura e encontro internacional

17553821_1282988975121975_4313107329659586073_nDurante o encontro, uma mesa de conjuntura com a presença de João Cayres, da CUT, da deputada Maria do Rosário (RS) e do deputado Teonilio Barba (SP) abordou os retrocessos dos direitos de trabalhadores e trabalhadoras no atual quadro político e econômico brasileiro e o papel e a importância da Economia Solidária nesse contexto de crise, como também a necessidade de unir forças para lutar por uma melhor legislação, por políticas públicas e pela manutenção dos direitos duramente conquistados ao longos das últimas décadas.

No último dia do evento foi realizado o II Encontro Internacional Sindicalismo e Cooperativismo na América Latina: os desafios da classe trabalhadora, que contou com a presença de representantes de centrais sindicais e de cooperativas do Brasil, Argentina e Uruguai, além da Itália e do Canadá.

As centrais se colocaram fortemente contra as reformas que retiram direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e elaboraram uma declaração que traz, entre seus principais pontos, o posicionamento contrário a qualquer tipo de ruptura, expulsão ou fragilização do Mercosul; contra as reformas que têm como base a perda de direitos, que têm avançado em especial na Argentina e no Brasil; e uma agenda integrada entre as centrais sindicais e as de cooperativas.

Leia mais sobre o II Encontro Internacional aqui.

Leia a íntegra da declaração aqui.